Tipos de água mineral: como identificar cada uma no rótulo

By Gustavo

Os tipos de água mineral definidos em lei, a diferença entre gás natural e adicionado e como ler isso no rótulo.

De acordo com a lista de fornecedores de água mineral em Fortaleza, 21 empresas entregam água na capital cearense, e o catálogo delas mostra logo que existem tipos de água mineral diferentes: sem gás, com gás e embalagens que vão do galão de 20 litros ao fardo de garrafas.

Saber o que cada tipo significa evita compra por impulso e ajuda a combinar o produto com o uso, seja para beber, cozinhar, preparar a mamadeira ou levar na bolsa para a academia.

Os tipos de água mineral segundo a lei

A Anvisa trata a água mineral natural, a água natural e a água adicionada de sais como categorias distintas. Na mineral natural, a água vem de fontes ou de águas subterrâneas e tem composição definida e constante de sais minerais e oligoelementos.

Já a natural segue o mesmo caminho de origem, mas seus constituintes ficam abaixo dos mínimos da água mineral. Quanto à adicionada de sais, é preparada com compostos autorizados, sem açúcar, adoçante ou aroma.

Há ainda a água potável de mesa, citada no Código de Águas Minerais de 1945. Ela também vem de fonte e é engarrafada, mas segue regras próprias de classificação. No rótulo, o campo de classificação costuma deixar isso claro.

Com gás ou sem gás: o que muda no produto

O rótulo informa se a água é natural ou adicionada de gás carbônico. Na primeira, o gás pode vir da própria fonte. Na segunda, é injetado depois, e por isso a classificação precisa constar na embalagem.

O Serviço Geológico do Brasil explica que a água gasosa contém ácido carbônico, um ácido fraco, de potencial erosivo muito menor que o de outras bebidas gasosas. Estudos citados pelo órgão não encontraram problemas estomacais em quem bebe água com gás.

Em testes com diferentes marcas, o pH da água com gás ficou entre 5 e 6, pouco ácido, enquanto o da água sem gás ficou em torno de 7, neutro. A diferença existe, mas é pequena.

Um alerta importante: água saborizada com gás não é água mineral com gosto de fruta. A legislação brasileira considera as águas saborizadas como refrigerantes, e trocar uma pela outra muda a conta de açúcar e de calorias.

Tipos de água mineral por composição

Duas águas minerais podem ter composições bem diferentes. Em algumas predomina o bicarbonato, em outras o cálcio ou o magnésio, e há as de baixa mineralização, mais leves ao paladar.

O material do Serviço Geológico sobre como escolher a água mineral dá referências. Para bebês de até três meses, água de baixo teor mineral, com resíduo seco abaixo de 500 miligramas por litro e nitrato abaixo de 10.

Crianças e adolescentes se beneficiam de água rica em cálcio, acima de 150 miligramas por litro. Praticantes de esporte tendem a preferir água com mais de 1.500 de bicarbonato e mais de 200 de sódio, para repor o que sai no suor.

Quem faz dieta para emagrecer pode olhar para magnésio acima de 50 e cálcio acima de 150, já que a ingestão desses minerais costuma ficar abaixo do ideal. Em todos os casos, a decisão individual deve contar com orientação de profissional de saúde.

Tipos de embalagem e o que cada uma implica

A garrafa de plástico PET é leve, resistente, fácil de reciclar e econômica. Em compensação, pode transferir sabores ou odores e, se ficar muito tempo exposta ao sol, liberar substâncias químicas.

A garrafa de vidro não transfere sabor, é durável e reciclável, mas pesa mais, quebra e custa mais para produzir e transportar. Por isso aparece mais em bares e restaurantes do que na entrega residencial.

O galão retornável de 20 litros reduz o lixo, porque a embalagem é reutilizada várias vezes. Em contrapartida, exige higienização adequada entre um uso e outro e controle de vida útil, e é por isso que o lacre e a procedência importam tanto.

A lata de alumínio e as embalagens cartonadas existem, mas são pouco usadas para água mineral no Brasil. De qualquer modo, o Serviço Geológico recomenda que, seja qual for a embalagem, o consumidor confira a procedência e o rótulo.

Como identificar cada tipo no rótulo

A leitura é rápida. Procure a linha de classificação, que diz se é mineral natural, natural ou adicionada de gás carbônico. Depois olhe a composição química e a origem, e por último o prazo de validade.

Se o rótulo não trouxer a classificação ou a composição, não é um bom sinal. O mesmo vale para a falta de número de registro e de identificação da empresa responsável, que devem aparecer em qualquer produto regular.

Segundo o diretório, a maioria das distribuidoras de Fortaleza entrega no mesmo dia dentro do bairro. Aproveite a conversa de entrega para pedir a marca, o tipo e a composição antes de confirmar o pedido.

Água potável de mesa e outras categorias que confundem

A água potável de mesa é a que mais gera dúvida, porque o rótulo lembra o das águas minerais. Ela também vem de uma fonte e é engarrafada, mas segue regras próprias, previstas no Código de Águas Minerais, e não recebe a classificação de mineral.

O consumidor percebe a diferença nesse mesmo campo. Onde um produto diz água mineral natural, o outro diz água potável de mesa, e os dois podem estar lado a lado na prateleira com embalagens muito parecidas.

Isso não torna uma melhor que a outra. São categorias diferentes, com exigências diferentes, e o que importa é saber o que se está comprando e se o preço combina com o produto.

Perguntas que valem a pena fazer ao fornecedor

Na hora de combinar a entrega, três perguntas resolvem a maior parte das dúvidas. Qual é a classificação da água, ou seja, se é mineral natural, natural ou adicionada de gás. De qual fonte ela vem. E qual é a composição química impressa no rótulo.

Pergunte também sobre o vasilhame. Quem cobra à parte na primeira compra, como a maioria das distribuidoras listadas, deve explicar quanto custa, como é feita a devolução e se o galão retornável tem prazo de uso.

Por último, peça a data de validade do lote que será entregue. Um fornecedor organizado responde na hora, e essa agilidade já diz algo sobre o cuidado com o estoque.

Resumo para a hora da compra

Antes de pagar, leia a classificação, confira a composição e veja se o lote tem validade. Escolha o tipo de acordo com o uso, e não com a embalagem mais bonita.

Se o produto for para bebê, idoso ou alguém com restrição de sal, peça orientação ao profissional de saúde. Para o resto da família, a variedade de opções permite testar e ficar com a que agrada.

Em resumo, conhecer os tipos de água mineral é o que transforma uma compra automática em uma escolha consciente.

Como escolher o tipo certo para o seu uso

Para o consumo diário em casa, uma água de mineralização média costuma atender bem a adultos saudáveis. Quem cozinha muito pode preferir uma água mais leve, para não alterar o sabor dos alimentos.

Para a mamadeira, a orientação do pediatra pesa mais do que qualquer rótulo. Para o treino, vale a água com mais sódio e bicarbonato, desde que a pessoa não tenha restrição médica a esses minerais.

Quem prefere a versão gasosa pode comprar à vontade, observando a classificação e evitando as saborizadas. O ponto principal é que os tipos de água mineral existem justamente para atender a necessidades diferentes, e nenhum é melhor em todas as situações.