Os sólidos dissolvidos totais resumem a carga de sais da água, e o número indica sabor e incrustação, mas não diz sozinho se a água é segura.
Sólidos dissolvidos totais: o que o número mede
Sólidos dissolvidos totais são a soma de todas as substâncias dissolvidas na água, principalmente sais minerais, como cálcio, magnésio, sódio, potássio, cloretos, sulfatos e bicarbonatos, além de pequenas quantidades de matéria orgânica. Eles são expressos em miligramas por litro, ou em partes por milhão, que dão o mesmo número.
O medidor de bolso não conta partículas.
Ele mede a condutividade elétrica, que aumenta com os íons presentes, e converte o resultado em uma estimativa de sólidos dissolvidos por meio de um fator, em geral entre 0,5 e 0,7. Por isso, o número depende do fator usado e da calibração do aparelho, e vale como indicação, e não como medida exata.
Em laboratório, a análise pode ser feita por evaporação e pesagem, o que dá o valor direto, mas a medida por condutividade basta para acompanhar o dia a dia.
O que dizem os limites e as classificações
A Portaria GM/MS 888 de 2021 fixa em 500 miligramas por litro o limite de sólidos dissolvidos totais para água potável, como padrão de aceitação, ligado a sabor e a incrustação, e não a toxicidade. Acima disso, a água pode ter gosto mais forte e formar crostas em chuveiros e em equipamentos.
Outra classificação vem da legislação de recursos hídricos, que distingue água doce, salobra e salina pela salinidade. Água doce tem salinidade igual ou inferior a 0,5 por mil, o que corresponde, de forma aproximada, a cerca de 500 miligramas por litro de sais. Acima disso, até 30 por mil, a água é salobra.
Esses limites ajudam a entender a conversa técnica. Um poço com 1.500 miligramas por litro já é salobro e dificilmente serve para consumo sem tratamento, e uma água de 300 está bem dentro do padrão.
O que o número não diz
Dois poços com 450 miligramas por litro podem ter perfis muito diferentes. Um pode ser rico em bicarbonato de cálcio, que é inofensivo, e outro pode ter nitrato, arsênio ou flúor em níveis perigosos. O total dos sólidos, sozinho, não distingue uma água saudável de uma contaminada.
O medidor também não detecta bactérias, pesticidas, solventes e outras substâncias não iônicas, que não alteram a condutividade. Uma água pode ter sólidos baixos e estar contaminada por microrganismos, e uma água com sólidos altos pode ser segura do ponto de vista sanitário.
Por isso, o medidor serve para triagem e para acompanhar tendências, e a decisão sobre uso e tratamento depende da análise de laboratório dos parâmetros específicos.
Como medir os sólidos dissolvidos da forma certa
Para um resultado confiável, o medidor deve ser calibrado com líquido de referência, enxaguado com a própria água antes da leitura e usado na temperatura informada pelo fabricante. A maior parte dos aparelhos compensa a temperatura, mas vale conferir. Eletrodos sujos ou gastos dão números errados.
A coleta também importa. Deixar a torneira ou o poço correr alguns minutos, usar frasco limpo e medir logo em seguida evita contaminação da amostra. Para decisões de projeto, a análise de laboratório dá o valor oficial.
Sólidos altos no poço: causas mais comuns
Em poços profundos, os sólidos refletem os minerais da rocha. Em poços rasos perto da costa, podem indicar mistura com água do mar. Perto de lavouras e de fossas, nitratos e outros sais elevam o total. A origem muda o tratamento, e por isso convém descobrir a causa antes de comprar equipamento.
Em Aracruz, onde há áreas litorâneas, indústrias e propriedades rurais, é comum que poços com sólidos altos precisem de análise de cloretos, sódio e nitrato, além do total.
Reduzir sólidos tem custo e gera rejeito
Osmose reversa e eletrodiálise produzem água de boa qualidade, mas também geram uma corrente concentrada, o rejeito. Seu destino precisa estar no projeto, seja reúso, evaporação, lançamento licenciado ou tratamento adicional.
Comparar o custo de tratar com o de buscar outra fonte, ou de misturar a água salobra com outra de melhor qualidade, ajuda a escolher o caminho mais econômico e seguro.
Sólidos dissolvidos totais em caldeiras, torres e lavanderias de Aracruz
Quem opera caldeira conhece o efeito dos sais: quanto mais sólidos dissolvidos totais na água de alimentação, mais rápido eles se concentram e formam crostas nos tubos. Cada ponto de incrustação reduz a troca de calor, aumenta o consumo de combustível e encurta a vida do equipamento. Por isso, caldeiras costumam usar água abrandada ou desmineralizada.
Torres de resfriamento seguem a mesma lógica.
A água evapora e deixa os sais para trás, e a condutividade do circuito sobe a cada ciclo. O controle da purga mantém os sólidos dentro do limite que o fabricante e o responsável pelo tratamento definem, e a reposição de água com menos sólidos permite operar com mais ciclos e menos desperdício.
Em lavanderias, os sais interferem no sabão, no enxágue e na cor dos tecidos. Água dura e com sólidos altos aumenta o consumo de produtos, e o abrandamento costuma se pagar.
Como reportar o resultado de sólidos dissolvidos para quem decide
Gestores e síndicos nem sempre querem a tabela do laboratório. Eles precisam saber se o número está dentro do limite, o que acontece se ficar fora e quanto custa corrigir. Um bom relatório traz o valor medido, o limite de referência, a data da coleta e uma recomendação em uma linha.
Gráficos simples, com a série de medições ao longo dos meses, mostram tendências melhor que um valor isolado. Se os sólidos sobem a cada estiagem, o tratamento ou a troca de fonte entram no planejamento antes que o problema pare a produção.
Por fim, vale cruzar o resultado com o uso previsto. Água com 700 miligramas por litro pode ser aceitável para lavar calçadas e irrigar certas culturas, mas inadequada para caldeira ou para consumo humano. Definir a finalidade antes de medir evita comparar o número com o limite errado e gastar com tratamento desnecessário.
Em indústrias, a especificação do fabricante do equipamento ou do cliente do produto é que fixa o limite, e ela costuma ser mais rigorosa que a da água potável.
Registrar quem mediu, com qual aparelho e em que condição ajuda a comparar resultados e a identificar erros de leitura.
Quando o número importa para o processo
Na indústria, os sólidos dissolvidos têm efeito direto. Caldeiras e torres de resfriamento pedem água de baixa salinidade, porque os sais se concentram e formam incrustações. Lavanderias e processos de tingimento perdem qualidade com água salgada, e indústrias de alimentos e de bebidas precisam de padrões rígidos.
Em regiões litorâneas, como Aracruz, poços próximos à costa podem apresentar sólidos altos por causa de salinidade natural ou de intrusão salina, e as empresas que dependem deles precisam medir com frequência para planejar o tratamento.
Quando os sólidos dissolvidos passam do aceitável, a osmose reversa e a eletrodiálise estão entre as tecnologias capazes de reduzi-los de forma significativa. Resinas de troca iônica servem para ajustes específicos, e a escolha depende do tipo de sal e do volume.